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"Um exército inteiro de romanos, era incapaz de deter um punhado de galesas.
Elas surgiam convertidas em verdadeiras 'fúrias':
inchando o peito, relinchando como cavalos selvagens e rangendo os dentes,
se atiravam sobre os adversários dando patadas, mordidas e
praticando ações tão fulminantes, que todos diziam que elas se convertiam em verdadeiras catapultas.
Eram umas lobas que, à céu aberto lutavam raivosamente para proteger sua tribo."

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terça-feira, 21 de junho de 2011

Esta é a situação atual da Raposa Serra do Sol desde que o STF expulsou os brancos e mestiços de suas terras.

É SIMPLESMENTE REVOLTANTE.
Deserto num ex-campo de arroz,
fome, miséria


Quatro novas favelas brotaram na periferia de Boa Vista, Roraima, nos últimos dois anos, como consequência da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, segundo informou “Veja”.
Naquele território de extensão contínua, correspondente a 7,5% de Roraima, viviam 340 famílias de brancos e mestiços.
Elas eram em sua maioria constituídas por arrozeiros, pecuaristas e pequenos comerciantes, que respondiam por 6% da economia do estado. Alguns possuíam títulos de terra emitidos havia mais de 100 anos pelo governo federal, do qual haviam comprado as propriedades.
Em 2009, por decisão do STF, todos foram expulsos.
O governo federal prometeu indenizá-los de maneira justa. Entretanto, no momento de calcular as compensações, alegou que eles haviam ocupado ilegalmente terra indígena. Por isso, encampou as propriedades e pagou apenas o valor das edificações.
Foi o início de um doloroso êxodo rumo à capital.

“Veja” ouviu quarenta ex-fazendeiros. Suas reparações variaram de 50.000 a 23.0000 reais. Isso não daria para comprar nem um bom apartamento de três quartos nas principais cidades do país, observou a revista.
As favelas de Monte das Oliveiras, Santa Helena, São Germano e Brigadeiro foram povoadas com os índios “beneficiados” pela decisão do Supremo Tribunal Federal de banir os proprietários “brancos”.

Os indígenas estavam em contato com os brancos havia três séculos e perderam suas fontes de renda, provenientes de empregos e do comércio.
Estradas e pontes, até então conservadas pelos agricultores, ficaram arruinadas num cenário de devastação que evoca a revolução anarco-comunista dos “Khmer rouge” na Camboja dos anos 70.
“Acabou quase tudo. No próximo inverno, ficaremos totalmente isolados”, diz o cacique macuxi Nicodemos Andrade Ramos, de 28 anos.
Índio macuxi Adalto da Silva num lixão, sem emprego,
teve de deixar a reserva
“Está impossível sustentar uma família na reserva. Meus parentes que ficaram lá estão abandonados e passam por necessidades que jamais imaginaríamos”, afirma o macuxi Avelino Pereira, de 48 anos.
Cacique de sete aldeias, ele perdeu sua espaçosa casa de alvenaria na reserva e caiu num barraco de tábuas na favela Santa Helena.
O líder indígena foi para Boa Vista, a fim de evitar que sua família perdesse o acesso às escolas, ao sistema de saúde e, sobretudo, ao trabalho.
Algumas famílias de índios que foram expulsas da reserva ergueram barracos no aterro sanitário de Boa Vista.
O macuxi Adalto da Silva, 31, que fala mal português, nunca pensou em viver da mesma forma que seus antepassados. Mesmo porque a caça e a pesca são escassas na Raposa Serra do Sol.
Até 2009 ele ganhava como peão de gado, mas depois da expulsão dos patrões ficou desempregado.
Na reserva não há dinheiro, tecnologia ou assistência técnica para cultivar as lavouras, e os campos foram abandonados.
Silva construiu uma maloca sobre uma montanha de lixo e sobrevive com 10 reais por dia coletando latinhas de alumínio.
Ainda assim, considera sua vida no lixão menos miserável do que na reserva.
Ele é vizinho do casal uapixana Roberto da Silva, de 79 anos, e Maria Luciano da Silva, de 60, que também cata latas e comida no aterro.
“O lixo virou a única forma de subsistência de muita gente que morava na Raposa Serra do Sol”, diz o macuxi Sílvio Silva, presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima.
Para com estes índios brasileiros não há piedade nem comiseração.
Fazendeiro Wilson Bezerra obrigado
a vender churrasquinho em Boa Vista
Brancos e mestiços expulsos da reserva também foram jogados na pobreza pela decisão do STF.


O pecuarista Wilson Alves Bezerra, de 69 anos, tinha uma fazenda de 50 quilômetros quadrados na qual criava 1.300 cabeças de gado. Um avaliador privado estimou em 350.000 reais o valor das edificações da propriedade. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) deu-lhe 72.000 reais por essas benfeitorias e nada pela terra. Seu rebanho definhou.
Restam-lhe cinqüenta reses em um pasto alugado. Ele sobrevive vendendo churrasquinho no centro de Boa Vista. Ganha 40 reais por noite. “O que o governo fez comigo me dá vergonha de ser brasileiro”, afirma Bezerra.
Coema Magalhães Lima, 64, chegou a ter 200 cabeças de gado e setenta cavalos. O fato de ser descendente de índios não impediu que ela fosse expulsa da reserva. Afinal de contas, o verdadeiro assunto era ideológico e ela não estava no lado “certo”.
Coema recebeu 24.000 reais de indenização. Ela e o marido gastam suas aposentadorias, que juntas chegam a 1.000 reais, para pagar o aluguel de uma pastagem para os 100 animais que lhes restam.
O governo federal prometeu que agricultores e índios não sofreriam prejuízos, mas o INCRA só reassentará 130 famílias desalojadas. As outras 210 ficarão de mãos vazias.
Mais: não concederá nenhuma gleba superior a 5 quilômetros quadrados. Quem possuía fazenda maior que isso arcará com o calote, diz “Veja”.
As famílias assentadas na Serra da Lua, perto da Raposa Serra do Sol, continuarão sob ameaça. O Ministério do Meio Ambiente pretende transformar essa área em reserva ambiental.
Se a idéia vingar, 200 pequenos agricultores que vivem no local se juntarão aos desalojados que hoje estão em Boa Vista.
Roraima já tem 68% de seu território inutilizado por reservas florestais e indígenas. Com a Serra da Lua, passaria a ter 70%. Será mais um golpe nas esperanças de desenvolvimento do estado, diz “Veja”, e mais outro golpe de machado do indigenismo comunista nos próprios fundamentos do Brasil.


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