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"Um exército inteiro de romanos, era incapaz de deter um punhado de galesas.
Elas surgiam convertidas em verdadeiras 'fúrias':
inchando o peito, relinchando como cavalos selvagens e rangendo os dentes,
se atiravam sobre os adversários dando patadas, mordidas e
praticando ações tão fulminantes, que todos diziam que elas se convertiam em verdadeiras catapultas.
Eram umas lobas que, à céu aberto lutavam raivosamente para proteger sua tribo."

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ROSSI! VÁ PLANTAR BATATAS!



Publicado em 08/08/11 às 10h51

Ministério do PMDB agora é a bola da vez

A semana política começa agitada em Brasília com focos de tensão em várias áreas, a começar pelo PMDB, o principal partido aliado do governo de Dilma Rousseff.
Se alguém ainda tinha dúvidas sobre qual será o próximo ministro a ir para a guilhotina, após a defenestração de Nelson Jobim na semana passada, as novas denúncias de corrupção e aparelhamento partidário no Ministério da Agricultura, de Wagner Rossi, do PMDB, agora todo mundo já sabe qual é a bola da vez.
Cada vez que um minisro cai _ foram três nos últimos três meses _ sempre me perguntam no Jornal da Record News quem será o próximo.
Este é o clima que se vive em Brasília desde a queda de Antonio Palocci, que exercia na prática as funções de primeiro-ministro e articulador político do governo. Os outros ministros todos, uns 40 se não estou enganado, devem pensar: se até o todo-poderoso Palocci, do PT, já dançou, que segurança eu tenho?
Para não ser o próximo, Wagner Rossi, que é da cota pessoal do vice-presidente Michel Temer, só tem um trunfo: a união do PMDB contra o PT, os dois maiores partidos da conflagrada base governista.
Já escrevi aqui outras vezes e é preciso repetir sempre para entender a tal da "governabilidade" do presidencialismo de coalização em Brasília: ninguém governa o país impunemente sem o PMDB e é quase impossível governar com o PMDB.
É sempre bom lembrar que o PMDB é o PMDB, um partido que será sempre base de sustentação do governo, de qualquer governo. Não é o PR.
Um exemplo claro  disso: quando surgiram as denúncias de maracutaias no Ministério dos Transportes, feudo do PR, jogaram ao mar o ministro Alfredo Nascimento e colocaram em seu posto o secretário executivo Paulo Passos.
Agora, fizeram exatamente o contrário: com a bateria de denúncias contra a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), orgão do Ministério da Agricultura, que tem a mesma importância do já famoso Dnit nos Transportes, o governo negociou a saída do secretário-executivo Milton Ortolan, acusado pela "Veja" de cumplicidade com um lobista, para preservar o titular Wagner Rossi.
Ortolan se autoimolou no sábado, mesmo dia em que circulou a revista, mas no domingo e nesta segunda-feira a "Folha" abriu nova frente contra Rossi, mostrando como o ministro abrigou em seu gabinete a parentalhada dos caciques peemedebistas e desguarnecendo postos improtantes da Conab.
Na semana passada, Wagner Rossi saiu aplaudido da Câmara depois de um longo e amigável interrogatório e esta semana deve voltar para dar explicações no Senado.
Ao mesmo tempo, a oposição já está novamente recolhendo assinaturas para pedir a abertura de uma CPI, desta vez no Ministério da Agricultura, ou seja: a semana começa como as outras terminaram, com o governo na defensiva, em reunião permanente de Dilma e suas principais ministras no Palácio do Planalto, tentando administrar as suas várias crises.
Para se ter uma boa ideia do que se passa em Brasília neste momento, vale a pena ler a coluna do colega Melchiades Filho, "Desenho colorido", na página dois da "Folha":
"Sozinha, ou ladeada de poucos assessores de confiança _ que, entre o entusiasmo e a resignação, batem continência _ a presidente faz o que quer e do jeito que quer (...). Derrubados Antonio Palocci e Nelson Jobim, não há no primeiro escalão, ninguém com trânsito nos outros poderes nem currículo para fazer contraponto à presidente (...) Aqui e ali começam a surgir as comparações com Collor".
Há, porém, uma diferença brutal entre os dois casos: Collor caiu por corrupção e Dilma enfrenta problemas políticos exatamente pelo combate à corrupção, que é apoiado pela opinião pública.
Se não bastassem as dificuldades na articulação política do governo, a nomeação de Celso Amorim, que toma posse hoje, para o lugar de Nelson Jobim, abriu uma nova frente de atritos, agora na área militar, já que são notórias as divergências entre diplomatas e generais.
Outro dia, quando o Heródoto Barbeiro me perguntou no Jornal da Record News se eu tinha alguma solução para o Ministério dos Transportes, depois da demissão de duas dúzias de funcionários suspeitos de corrupção, sugeri que convocassem um general para limpar o Dnit ou importassem um engenheiro alemão de ficha limpa.
Era apenas um comentário bem humorado, claro, e não sei se alguém do governo viu o nosso jornal. O fato é que a presidente Dilma já nomeou um general para o Dnit, mas isso poderá não ser suficiente para acalmar os militares que  fizeram cara feia para a nomeação de Amorim.
No fim de semana, o único refresco para Dilma foi a divulgação do novo Datafolha, em que a aprovação do seu governo continua estável, com 48% de ótimo e bom, confortável índice para um início de mandato tão tumultuado na área política e em meio à crise econômica mundial.
O novo Ibope que deve sair na quarta-feira, segundo me disse Carlos Augusto Montenegro na semana passada, também mostrará estabilidade, talvez com uma leve alta nos números favoráveis.
Mais do que os políticos e os militares, são os mercados que podem abalar estes altos índices de popularidade e tirar o sono da presidente, que não tem um dia de trégua no noticiário.
Seria bom aproveitar este momento favorável na opinião pública para fazer uma arrumação geral da casa e retomar a iniciativa política do governo fora do Palácio do Planalto.

Um comentário:

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